Vendas
Amostra enviada, e agora? Como acompanhar o retorno de cada comprador
Um funil de cinco etapas para saber em que pé está cada amostra de café, o que anotar em cada uma e quando cobrar o retorno do comprador sem parecer insistente.
Por Allison Freitas, fundador da TBA House
Publicado em · 6 min de leitura
Para acompanhar o retorno de amostras de café, registre cada envio como uma etapa de um funil de vendas: lead, amostra enviada, amostra provada, proposta e fechado. Anote a data de envio, o lote e o que o comprador procura, e marque na agenda o dia de cobrar a resposta. Assim nenhuma amostra fica esquecida na torrefação.
Parece simples, e é. O difícil é manter o hábito durante a colheita, quando a amostra sai pelo correio numa terça, a mensagem de confirmação chega no WhatsApp pessoal de alguém da família e, três semanas depois, ninguém lembra para quem foi o lote 004.
Por que a amostra de café some depois do envio?
A amostra some porque o envio é o fim de uma tarefa para quem vende e o começo de uma fila para quem compra. A torrefação recebe amostras de vários produtores, prova em lote quando a agenda de torra permite e responde primeiro a quem lembra de perguntar. Quem não registra o envio também não lembra de perguntar.
Há três pontos em que a informação costuma se perder:
- No envio. A amostra sai sem um registro único de qual lote, quantos gramas e para quem.
- Na prova. O comprador comenta a xícara numa conversa de WhatsApp, e o comentário não chega à ficha do lote.
- Na proposta. O preço combinado fica num áudio, e a próxima safra começa do zero.
Quais são as etapas do funil de amostras?
O funil de amostras tem cinco etapas, uma para cada momento em que a conversa com o comprador muda de natureza. Cada etapa tem uma pergunta que precisa ter resposta antes de passar para a seguinte.
| Etapa | Pergunta que fecha a etapa | O que anotar |
|---|---|---|
| Lead | Esse comprador tem perfil para o meu café? | Nome, cidade, tipo de negócio (torrefação, cafeteria, corretora), volume por mês, de onde veio o contato |
| Amostra enviada | A amostra chegou? | Lote, peso, data de envio, código de rastreio, data prevista de prova |
| Amostra provada | O que ele achou da xícara? | Nota ou comentário do comprador, perfil que procura, lotes que pediu para ver de novo |
| Proposta | Os termos fecham para os dois lados? | Lote, quantidade em sacas, preço, frete, prazo de pagamento, validade da proposta |
| Fechado | Ficou acertado e entregue? | Data da venda, condições finais, data provável de recompra |
A coluna do meio é a mais útil das três. Uma amostra só avança de "enviada" para "provada" quando você sabe a opinião do comprador. Enquanto não souber, ela continua na etapa anterior, e isso já diz o que fazer no dia seguinte.
Quando cobrar o retorno de uma amostra?
Cobre o retorno quando a data prevista de prova passar, e não antes. Para definir essa data, pergunte ao comprador, no momento do envio, quando ele costuma provar amostras. Torrefações pequenas costumam provar em dias fixos da semana; corretoras às vezes provam no mesmo dia em que recebem.
Se o comprador não disser, use uma regra própria e mantenha a mesma para todos. Um ponto de partida razoável é perguntar sobre a chegada da amostra dois dias depois da entrega e sobre a prova uma semana depois. O número exato importa menos do que a regularidade: um produtor que cobra sempre no mesmo intervalo passa a imagem de organização.
Duas mensagens curtas resolvem a maior parte dos casos:
Olá, Marcos. A amostra do lote 004, Catuaí amarelo do Sítio Boa Vista, foi entregue ontem. Quando vocês provarem, me conta o que achou da xícara?
Olá, Marcos. Conseguiram provar o lote 004? Se ele não encaixou no que vocês procuram, me diz o perfil que eu separo outra opção desta safra.
A segunda mensagem oferece uma saída. Um "não serviu" é informação valiosa, porque tira a amostra do funil e mostra o que aquele comprador quer de verdade.
Como organizar isso sem virar mais trabalho?
Comece com o que você já usa. Uma planilha com as colunas da tabela acima e uma linha por amostra resolve para quem envia poucas amostras por mês. Ordene por "data de cobrar" e abra a planilha toda manhã.
A planilha começa a falhar quando três situações aparecem juntas:
- Mais de uma pessoa atende. O pai responde no WhatsApp, a filha cuida do Instagram, e cada um tem a sua parte da história.
- O mesmo comprador recebe várias amostras. Fica difícil ver numa linha só que a cafeteria de Belo Horizonte já provou três lotes e gostou de um.
- A conversa acontece em vários canais. O pedido de amostra chega pelo site, a dúvida sobre frete chega pelo WhatsApp e a proposta sai por e-mail.
Nesse ponto vale usar um CRM com funil de vendas. No módulo de Vendas da plataforma da TBA House, cada amostra é um cartão que anda pelas cinco etapas, com alerta para amostra parada há tempo demais e o histórico do comprador junto. O formulário do site, o Instagram e o WhatsApp alimentam o mesmo funil.
O que fazer com as amostras que não viraram venda?
Guarde o motivo. "Procurava fermentado", "preço acima do que paga hoje", "só compra a partir de 10 sacas": cada recusa conta o que aquele comprador quer, e a próxima safra pode ter exatamente isso.
Antes da colheita seguinte, filtre os compradores que provaram e recusaram por perfil e avise quem procurava o tipo de lote que você vai ter. Essa lista costuma ser mais quente do que qualquer contato novo, porque essas pessoas já conhecem o seu café.
Perguntas frequentes
Quanto café mandar numa amostra?
Pergunte ao comprador antes de enviar, porque cada um prova de um jeito. A prova costuma usar várias xícaras do mesmo café para checar a uniformidade, e algumas torrefações fazem também uma torra de teste, então o volume precisa cobrir as duas coisas. Mande o que o comprador pedir e anote o peso no registro.
Vale mandar amostra para quem não pediu?
Raramente. Amostra sem pedido costuma cair no fim da fila de prova. Prefira um contato curto antes, apresentando o lote e perguntando se faz sentido enviar. Quando o comprador aceita, ele já espera a amostra e tende a provar mais cedo.
O que registrar sobre o lote junto com a amostra?
O mínimo é identificação do lote, variedade, processo, safra e a pontuação, se houver classificação. Quanto mais fácil for o comprador ligar a xícara ao lote, mais fácil fica a proposta. Detalhamos isso em como montar a ficha do lote.
Fontes
- Specialty Coffee Association, padrões de preparo de amostra e avaliação sensorial do Coffee Value Assessment (SCA-102, SCA-103 e SCA-104). sca.coffee.